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Não custa nada perguntar

Há uns bons anos atrás, entrei em contato pela primeira vez com um texto de Hakim Bey: TAZ, ou Zona Autônoma Temporária. Meu bom amigo Yudi havia criado há pouco tempo a Maldição, distribuidora de material subversivo, e o texto que eu recebi estava impresso em papel reciclado A4, as folhas dobradas em forma de caderninho, agrupadas por uma linha de costura que unia as páginas. Não lembro se na época fizemos algum tipo de troca, mas a impressão que tenho é que ganhei o texto, já que o objetivo declarado da distro Maldição não era o lucro, e sim a distribuição e propagação do material em questão.

Minha experiência com a leitura de TAZ foi bem diversa do que eu estava acostumado: textos reacionários e mal escritos de punks e anarquistas sem muita criatividade ou intento, salvo raras exceções. Era um texto que pulsava novidades e um novo jeito de ver fronteiras e limites. E, além disso, a impressão mais forte que me deixou é que se tratava de um material antagônico a qualquer tipo de mercado literário, que já circulava livremente pela Internet há algum tempo.

Agora, imaginem a minha surpresa quando, uns tempos depois, vi o mesmo texto de Hakim Bey encadernado, um livro de capa vermelha e preta, à venda em uma livraria por uns 14 reais! Coleção Baderna, editora Conrad. Iniciou-se a confusão: mas não era um texto livre? Já não circulava há tempos, gratuitamente? As idéias contidas no próprio texto não são contrárias a esse tipo de exploração? Mas já era tarde – comecei a ver muitos jovens circulando nos centros culturais e pontos “hypados” com esses livrinhos. Descobri que havia acontecido o mesmo com o livro CAOS. De repente, terrorismo poético, psicogeografia, guerrilha psíquica e outros termos eram assuntos nas rodinhas do pessoal classe média-alta de penteados arrojados ou dreads, piercings e tatuagens, calças xadrez e a bolsinha do Fórum Social Mundial a tiracolo.

OK, confesso: eu espumava de raiva ao ver essas cenas. Abandonei o Orkut após quase vomitar lendo as discussões nas comunidades CAOS e Terrorismo Poético – se bem que existe até comunidade de Orkut chamada “misantropia”. A maioria do material editado pela Baderna já estava disponível, gratuitamente, há muito tempo! Mas parece que as idéias ganham mais consistência quando impressas, encadernadas e vendidas. O filme Clube da Luta também ajudou nesse processo -e não posso discordar que ver o Brad Pitt comandandando uma legião romântica de fanáticos é muito mais atraente do que uns poucos rebeldes fedidos no subúrbio de alguma grande cidade brasileira planejando algum tipo de ação.

Alguém poderia dizer que a Conrad, de fato, ajudou a divulgar todo este conjunto de idéias outrora desconhecido pela massa. E que os custos com tradução, edição e impressão justificam a venda dos livros. Não quero concordar nem discordar – quem quiser que compre os ditos cujos. Eu mesmo já comprei um livro da coleção Baderna, e, de fato, entrei em contato com algumas idéias novas a respeito de arte por meio da coleção vermelha. Mas não custa nada perguntar à Conrad: ONDE ESTÃO OS ARQUIVOS DIGITALIZADOS DE TODO ESSE MATERIAL, PARA DOWNLOAD? Tomemos como exemplo o caso do livro Guerrilha Psíquica, de Luther Blissett, ou ainda o Distúrbio Eletrônico, do Critical Art Ensemble. São livros que tratam, em boa parte, da destruição do sistema autoral e da distribuição lucrativa da “propriedade intelectual”. Quem quiser comprar a versão encadernada, que o faça, mas um mínimo de coerência e respeito ao material editado permitiria à Conrad uma abordagem menos carniceira do assunto.

Como não quero só ficar descendo a lenha, fiz uma busca rápida e encontrei alguns livros da coleção Baderna “pirateados” e disponíveis para download. Também achei diversas obras de Hakim Bey em português para download. Quem souber de mais, dê um toque. E recomendo a visita ao blog O Barco Bêbado, também envolvido seriamente na distribuição de material artístico/cultural a preço de nada. Abraços a todos.

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Educação anti-artística

Após alguns pedidos, fiz algo que fiquei postergando por quase um ano inteiro: revisei e publiquei na Internet o meu TCC de Licenciatura em Artes Visuais, que defendi no IA – UNESP em 2008. É um artigo de 13 páginas cujo título inventei agora, de última hora: Idéias para uma educação anti-artística nas escolas. Bem genérico e sensacionalista!

Subi a versão não acadêmica, sem cabeçalho, menções à instituição e coisa e tal. Extirpei uma citação do Paulo Freire que eu tinha usado pra encher linguiça também. A história desse artigo é curiosa, eu já havia praticamente terminado um primeiro trabalho, o prazo estava estourando, quando desisti de tudo que eu já tinha feito e resolvi não defender porra nenhuma. Aí uma pessoa muito especial e iluminada me deu um toque, pra eu ler um livro que eu possuía mas ainda não tinha usado: Arte, inimiga do povo, de Roger L. Taylor. A partir daí ficou bem claro o que eu queria, pois eram questionamentos que eu vinha fazendo, mas não havia entrado em contato com idéias similares. De quebra, ainda consegui salvar umas partes do trabalho antigo, escrever umas páginas num exercício quase mediúnico e costurar tudo semi-coerentemente.

Espero que possam usar este artigo para os fins que bem desejarem, e fiquem à vontade pra fazer o que quiserem com ele. Se conseguirem ganhar dinheiro com isso, melhor ainda!! Novamente, pra quem perdeu, o link: Idéias para uma educação anti-artística nas escolas

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Artes para download (torrents selecionados)

Olá amiguinhos… eu sei, eu sei, as publicações no blog e no site têm sido escassas. Mas isto é perfeitamente justificável, tendo em vista a produção de uma nova série de desenhos (grandes) e a finalização do meu TCC em artes. Pois é. Mas não me sinto tão culpado pelo semi-abandono do meu cantinho na Internet, ele tem o seu ritmo, e cresce à sua maneira: uns tempos mais, outros tempos muito mais, algumas épocas quase nada… enfim.

Como já disse há um tempo, estou preparando uma significativa atualização para a lista de obras de arte para download. No entanto, julguei desnecessário fazer upload de certas coisas já disponíveis por aí. Vou passar então pra vocês uma listinha esperta de torrents artísticos, tem imagens e livros (geralmente em inglês), basta usar um cliente como o μTorrent para fazer os downloads.  À medida em que eu for achando mais, vou colocando mais links. Se souber de alguns links bons não publicados aqui, favor sugerir. Abraços a todos.

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O plágio e a ilusão do único

Um fato curioso sobre as rupturas e revoluções é que, geralmente, estas movimentações trazem consigo um pouco da estrutura a ser negada. Radicais ludistas utilizam marretas industrializadas para destruir fábricas, bandas punks de noise-core fazem uso de instrumentos musicais para produzir anti-música. Das vanguardas artísticas do século XIX em diante, há riqueza de exemplos semelhantes, até chegarmos ao cataclisma causado por Marcel Duchamp – há quase cem anos atrás – quando deslocou alguns objetos industrializados (como um urinol e uma pá de neve) para o museu, e chamou estes objetos de “obras de arte”. Talvez não haja muito para se ver num mictório de ponta cabeça ou numa roda de bicicleta espetada num banco, mas há algo a se pensar sobre estes atos – o de condecorar objetos comuns com os louros que caracterizam o “objeto artístico”. Esta ação nada ingênua até agora não foi bem digerida, Duchamp ainda é o nome por trás de boa parte da produção artística contemporânea. O seu gesto é de uma abrangência impensável para o obtuso vanguardista que diz “isso não serve mais, agora precisamos disto, que é o novo”. Para Duchamp, tudo serve, conquanto exista uma boa idéia para colocar o banal em movimento.

A chave duchampiana é a recombinação de idéias, imagens e significados. Se concebermos suas ações sob as noções comuns de “original” ou “novo”, e principalmente conforme a aplicação mercadológica destes termos, poderemos considerar Duchamp como um plagiador. O plágio frequentemente carrega um peso de conotações negativas. Enquanto a necessidade de sua utilização aumentou com o passar do século, como resposta ao bombardeio de imagens que hoje bem conhecemos, o plágio foi camuflado em um novo léxico para aqueles, como Duchamp, desejosos de explorar essa prática enquanto método e como forma legitimada de discurso cultural. Ready-mades, colagens, found art ou found text, intertextos, combines, detournment e apropriação – todos representam incursões no plágio.

As ações dos plagiadores subvertem conceitos de valor baseados em horas de trabalho e dificuldade de produção – novos sentidos são criados a partir de estruturas anteriormente fundadas. O plágio neste sentido é uma forma de negação que envolve a re-invenção dos cânones e signos que aprendemos a aceitar como imutáveis, “normais” ou corretos. Criando novos sentidos, o plágio age como a negação de uma cultura que encontra sua justificativa ideológica no “objeto único”. Ler o resto »

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