Webdesign experimental

Alguns podem ter reparado que venho chamando há algum tempo minhas atividades no dedos.info de “webdesign experimental”. O que quero dizer com isso? Uma noção de webdesign que não necessariamente inclua os indefectíveis conceitos de usabilidade, clareza, acessibilidade e por aí vai. Ou então que priorize uma forma não-convencional de visualidade para a Internet. Ou tenha um conceito claramente não-comercial, priorizando outro tipo de “utilidade”. Daí pra pior, então melhor eu parar, pra não correr o risco de cair num texto ilustrativo que nada demonstra. Vamos diretamente aos links… sem descrições. Os mais atentos perceberão que plagiei vários deles, descaradamente.

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Enquanto isso no deviantART


Over the Falls by ~PhilLewis on deviantART

GRASSHOPPER OF EROGENIC ZONES. by ~arttauta on deviantART

Sign Language. by ~Apple-Autopsy on deviantART

pulselines over green lake by ~beatrixmiranda on deviantART

Proprioception, again by ~BuddyWhite on deviantART

tako by ~drikaooki on deviantART

Attack of the Ooze by ~0becomingX on deviantART

Gap by ~mcjesus on deviantART

A New Hat by ~Nogfish on deviantART

Cassette Shit by =Mykola31 on deviantART

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Enquanto isso em um futuro nem tão distante

Eu sou o usuário de um netnetnetbook, conhecidos também como 3Ns, ou ainda, popularmente, como “3netão”. O 3n é resultado de três readaptações dos modelos mais comuns de netbooks que surgiram nos anos 10. O resultado é um computador ainda menor, algo equivalente a duas palmas de mão abertas, uma ao lado da outra. Portabilidade e elegância com teclado QWERTY e ênfase nas comunicações, visual customizável e todo tipo de atrativo para todo tipo de pessoa, em suas infinitas variações… a um preço ridículo!

Após o banimento do uso popular do papel, computadores desse tipo começaram a pulular o mercado, já que nas escolas os cadernos foram substituídos pelos pequenos computadores. Em diversas áreas houve efeitos semelhantes: cartórios, hospitais, comércio, em quase todos os lugares havia um ou dois computadores centrais e dezenas de 3Ns e outros similares.

Eu me lembro do dia em que ganhei meu primeiro netnetnetbook. Abri-o emocionado, uma emoção que durou muito, muito pouco. Após poucos minutos de digitação, percebi que minhas mãos precisavam ficar muito juntas, e meus dedos fazerem movimentos tortuosos e contidos, para que eu não apertasse múltiplas teclas de uma vez no minúsculo teclado. Uma tensão horrível nos pulsos e antebraços instalou-se a seguir.

Além disso, a proximidade do teclado e do monitor obrigam o usuário a curvar sua cabeça para baixo, fazendo que gradualmente vá descendo em direção à tela até ficar numa posição corcunda. As mãos, naturalmente, devem elevar-se até o teclado. Imagine um cidadão comum, em seu emprego, ou um aluno de uma escola, com um 3N à mesa: seus braços estão erguidos, suas mãos viradas para baixo apertando as teclas, seu pescoço torto, sua cabeça baixa.  Temos algo semelhante ao tiranossauro rex, com seus bracinhos pendentes e seu pescoço curvado.

Evidentemente, não sou o único desafortunado possuidor de um 3N, sem condições de comprar um computador ergonômico. Some isso ao fato de muitos empregos comuns empregarem o uso de netnetnetbooks, e temos toda uma geração de corcundas com mãozinhas balançando e pulsos doendo, com feições faciais ligeiramente abobalhadas.

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Desista da Arte / Salve os famintos

Ver e criar uma imagem são a mesma atividade. Aqueles que criam a arte também estão criando os famintos. Nosso mundo é uma ilusão coletiva.

É uma grande ironia que o mito do artista celebre o sofrimento, enquanto são aqueles que nunca ouviram falar de arte, aqueles sofredores famintos na seca e com doenças endêmicas, que são os verdadeiros pobres e infelizes do nosso mundo. E nessa perversão que foi um dia uma busca religiosa, os artistas de hoje negam ser mais do que trabalhadores, negam a arte em si, e então se mobilizam para apagar para o homem a luz que existe dentro dele.

A arte é agora definida pela elite autoperpetuante para ser comercializada como uma mercadoria internacional, um investimento seguro para os ricos que têm tudo. Mas chamar um homem de artista é negar a outro um dom igual de visão; e negar a todos os homens a igualdade é reforçar a injustiça, a repressão e a fome.

Tudo o que é aprendido é alienígena. Nossa história é construída a partir da herança de homens que aprenderam somente a substituir um conceito por outro. Nós lutamos para agarrar o que não sabemos, quando nossos problemas não serão resolvidos por novas informações, mas pelo entendimento do que o homem já sabe. É hora de reexaminar a natureza do pensamento.

Ficções ocupam nossas mentes e a arte tornou-se um produto, porque acreditamos que nós e o nosso mundo não somos suscetíveis a mudanças fundamentais. Então, escapamos para a arte. É a nossa habilidade de transformar este mundo, de controlar nossa consciência, que está secando na videira.

Precisamos controlar nossas próprias mentes, comportarmo-nos como se a revolução já houvesse acontecido. Pintar todos os quadros de preto e celebrar a arte morta. Estamos vivendo num baile de máscaras: o que pensamos ser a nossa identidade é um jogo de noções recebidas pelo sistema educacional, preconcepções que nos prendem à história. A crença em nossa própria identidade gera tristeza sem fim: nosso isolamento, nossa alienação e nossa crença de que a vida de outro homem é mais interessante que a nossa.

É somente através da valorização igualitária de todo o mundo que qualquer um de nós encontrará a liberação. Um fim para a história é nossa exigência de direito. Continuar a produzir arte é ficarmos viciados em nossa própria repressão. A recusa da criação é a única alternativa para aqueles que querem mudar o mundo. Desista da arte. Salve os famintos.

artes visuais grandesovosnegros 1 comentrio

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