Ninguém ousa chamá-lo niilismo

A ESTÉTICA NEOÍSTA SE CARACTERIZA PELA prática do plágio e o uso de pseudônimos coletivos. O plágio é uma forma de atacar a propriedade privada, enquanto a adoção do nome Monty Cantsin por todos os membros da Rede Neoísta é um ponto vital da luta de morte do movimento contra o capitalismo.

Analisando rapidamente o século XVI, descobrimos que dramaturgos como Shakespeare e Marlowe comumente plagiavam roteiros e idéias de escritores anteriores. Nesse aspecto plagiário do teatro elizabetano, podemos identificar uma forma altamente avançada de protomodernismo.

O plágio também foi particularmente bem usado por Lautreamont/Ducasse (1846-1870). Da mesma forma, o trabalho de William S. Burroughs é altamente dependente do plágio em termos tanto de conteúdo quanto de estilo. Isso é particularmente perceptivo em relação aos textos de Tzara e Artaud.

A grande vantagem do plágio como método literário é que ele descarta a necessidade de talento, ou até mesmo de aplicação. Tudo o que realmente precisa fazer é selecionar o que plagiar. Iniciantes entusiasmados podem começar plagiando este ensaio. Um niilista barra-pesada poderia escolher plagiá-lo literalmente; enquanto aqueles indivíduos que trabalham sob a ilusão de que são de uma vertente mais artística provavelmente irão querer mudar uma palavra aqui e ali – ou até mesmo colocar os parágrafos em uma ordem diferente!

Não devemos esquecer que o plágio é um exercício altamente criativo e que cada ato de plágio traz um novo sentido ao trabalho plagiado. Infelizmente, isso não muda o fato de que as forças capitalistas que controlam a cultura ocidental condenaram à ilegalidade o plágio dos textos modernos. Porém, não permita que isso o impeça de plagiar trabalhos modernos. Algumas precauções sensatas irão protegê-lo de perseguição. A idéia básica para evitar a violação do copyright é tomar a idéia e o espírito de um texto sem realmente plagiá-lo palavra por palavra. Um dos melhores exemplos disso é 1984, de Orwell – que é reelaboração direta de Nós, de Zamiatin. Qualquer um com interesse sério no neo-plagiarismo deveria passar algum tempo considerando esses dois textos.

Na área da música popular, um exemplo bom de neo-plagiarismo são diversas músicas de Raul Seixas, que são colagens de sequências de músicas dos Beatles. Ás vezes, só se muda a letra. Trata-se de plágio na sua melhor forma, sem nenhum fator redentor, como uma mudança sábia de contexto.

Em resumo, o plágio economiza tempo e esforço, melhora os resultados e demonstra considerável iniciativa por parte do plagiador. Como ferramenta revolucionária, é idealmente construída para as demandas do início do século XXI.

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Acusando o golpe

Acabo de ler no jornal Falha de São Paulo a resenha de um livro recém-traduzido para o português, intitulado “O culto do amador”. Desconheço o autor Andrew Keen. Mas vejo em suas opiniões o grito desesperado dos que lutam para manter vivos conceitos como “Direitos Autorais”, e que já não sabem mais o que fazer para deter o anjo vingador de todos os amantes da informação livre: a Internet. Permitam-me citar o trecho reproduzido no jornal, extraído do livro. Os grifos são meus.

Minha posição é que somos facilmente seduzidos, corrompidos e desencaminhados. Em outras palavras, precisamos de regras e regulamentos para ajudar a controlar nossos comportamento online, assim como precisamos de leis de trânsito para regular o modo como dirigimos a fim de proteger a todos contra acidentes. Por vezes são necessárias normas governamentais para nos proteger contra nossos piores instintos e comportamentos mais autodestrutivos. O fato é que uma regulamentação modesta da Internet funciona. (…) Eu afirmaria que a regulamentação é urgentemente necessária, sobretudo para proteger nossas crianças contra predadores sexuais e pornografia nas redes sociais, como MySpace.

Primeiro: o autor tem visíveis problemas em relação à sua capacidade de tomar decisões e cuidar da própria vida. Como se já não tivéssemos regras e controle o suficiente. E eu, pelo menos, não preciso do governo para controlar meus “piores instintos” [ainda].

Penso que esse descrédito em relação à Internet como provedora de informações legítimas tenha sua origem no mesmo impulso que criou nossos “desktops” (topo da mesa), “pastas” e “lixeiras” – a mimetização do mundo material nos discos rígidos dos computadores. A computação – por motivos que pretendo tentar descobrir – não consegue fugir das metáforas e analogias. Nossos programas domésticos e sistemas operacionais emulam nossas vidas e coisas que fazemos, e a Internet é uma extensão dos diversos interesses das pessoas. Mas, ao que parece, o autor defende a idéia de que a rede seja uma contrapartida digital ao sistema de conhecimento humano. Talvez isso até aconteça um dia, mas acredito que ainda levamos algum tempo (gerações, décadas) para fazer a transição definitiva do papel para o visor.

A maior parte da informação, como literatura e material de pesquisa, ainda é editada em maior parte em mídia impressa. É claro que isso eventualmente gera contradições bizarras, como livros sobre computadores e programação, que tendem a se tornar relíquias inúteis (ok, material histórico) rapidamente. E ainda há o problema ecológico, o fato de que livros são feitos de árvores… mas esse é outro assunto.

Enfim, como assinalou  também o repórter da Falha, o autor se esquece de tudo a seu redor e olha apenas para a Internet, como se esta estivesse moldando e corrompendo o comportamento humano. Eu acredito no contrário; a Internet foi criada por seres humanos à sua imagem e semelhança. Com algumas iniciativas bem interessantes, como o software livre e o domínio público, em demonstrações de surpreendente espírito coletivo, que nos falta na vida fora dos computadores. Cada usuário encontra o que procura.

Estou divagando e nem li o livro. Irei atrás para ver do que se trata. Aos interessados:

O Culto do Amador.
Autor: Andrew Keen. Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges. Editora: Jorge Zahar

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Desenhando sem rascunhos ou planos prévios

Tentarei, pela primeira vez, descrever uma das técnicas que utilizo para desenhar. É algo muito simples, porém requer extrema confiança no “acaso” e em si mesmo. Isso a torna um pouco mais difícil para iniciantes no desenho ou pessoas que não tem confiança em suas habilidades. Gostaria de me alongar também sobre isso, inicialmente. Perceberá o leitor que dou muitas voltas, e que o texto aqui é quase “filosófico” – não me interesso por guias passo-a-passo, a não ser que sejam extremamente necessários. Não espere um manual, pois essa técnica depende mais do indivíduo que a pratica do que qualquer outro fator.

Importantíssimo esclarecer: esta é apenas uma das técnicas que utilizo para desenhar, e em momentos específicos. Não é a solução para todos que desejam aprofundar-se na prática do desenho. Não considero o desenho como mera aplicação técnica de uma habilidade, e me sinto exposto ao compartilhar essa técnica publicamente. Se funciona para mim, não quer dizer que funcionará para você. Mas acredito que sempre há algo a se aprender.

Descobrindo um caminho ([o seu] entre milhões)

Talento, técnica, habilidade, são palavras que carregam intensa carga de significado. Além disso, são palavras muito relativas e os seus significados algumas vezes chegam a ser confundidos. Evito pensar nessas palavras.  Eu acredito que um pode sentir-se plenamente satisfeito com o ato de desenhar e os desenhos que faz, desde o início de seu aprendizado. Desenhe despretensiosamente, sempre que puder, se possível todos os dias. Você só irá sofrer se tiver alguma meta mirabolante na cabeça, como desenhar igual ao Mutarelli, ou algum objetivo pequeno (como fazer fan-art do seu mangá favorito) que logo será descartado, porque perceberá que pode fazer muito mais. Assim, aprofundar-se na técnica que tentarei descrever a seguir não será um problema. Ler o resto »

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