O Grafite não é arte

Esclareçamos, inicialmente, o que vamos entender por arte no texto a seguir, para que discorramos tranquilamente sem a necessidade de esclarecimentos entrecortados ao assunto principal. Por arte, entenderemos aqui o sistema de artistas, obras de arte, galerias, museus, e o mercado que corresponde a estes fatores. Seria o que alguns chamam de alta cultura, arte erudita.

O grafite não é arte. A arte é de uma natureza complexa e por vezes maçante, à qual sobrevivem apenas os verdadeiros aficionados. Considerável parte da população – para não falarmos apenas em termos superlativos – num admirável impulso de auto-preservação, mantém distância da arte, muito embora esse impulso, geralmente, não a dirija a um caminho mais saudável. Migram para a criminosa e superficial cultura de massa, que, curiosamente, muitos chamam de… arte. Aos que persistem na alta cultura, restam dois caminhos: garimpar preciosidades ou cair num abismo de obras irrelevantes e discursos rasos e enganosos, geralmente prolixos (como este, talvez).

O grafite não está relacionado a este universo. São imagens que nos invadem o campo de visão, muitas vezes sem que nos dirijamos a elas (pelo menos não conscientemente). O grafite é algo vivo, em constante mutação, que pode surgir a cada dia em um novo lugar, sob qualquer forma, independente de ismos ou conceitos estéticos. E é de se admirar a técnica e a riqueza poética que alguns grafiteiros adquirem com o passar do tempo (e de muitos muros). A cada nova intervenção, nos admiramos com o que parece ser fruto de uma intensa dedicação e prazer pelo ato em si, o ato de grafitar. Esta paixão – nos permitiremos usar este termo tão anti-científico – é um elemento deveras em falta na arte de nossos dias. Hoje são muitos conceitos, projetos, delegação de tarefas – parece que é pedir demais a um artista visual que domine uma técnica, ou entenda um mínimo de linguagem gráfica, por exemplo. O tipo de coisa que resulta numa bienal vazia, etc. O que não acontece no grafite: da mente de alguns grafiteiros parecem simplesmente brotar imagens, natural e cotidianamente. O privilégio auto-concedido de dominar uma técnica permite explorar horizontes mais amplos. Ezra Pound, ao refletir sobre o ato da escrita, notou algo nesse sentido, que transporemos para o contexto presente. Contestando a idéia do artista inspirado, em cuja mente obras primas surgem como que do nada, expôs o seguinte (em seu ABC of Reading):

De fato, as melhores obras provavelmente “brotam”, mas só depois que a técnica se tornou uma “segunda natureza”, e o escritor (leia-se aqui o grafiteiro) não precisa mais pensar em cada detalhe…”

Podemos então enxergar o que o mercado de arte viu de muito interessante nos grafiteiros. A técnica de alguns deles alcançaram, esta “segunda natureza” tão em falta nos artistas-projetistas contemporâneos. E o mote repetido por alguns, “grafite é arte”, caiu com uma luva para este mercado. Aplicando a devida distorção na frase, traduziram-no para “grafite é alta cultura”. Ler o resto »

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Expandindo fronteiras e referências

Africancolours: your guide to contemporary african art

Só para constar. Para os que estão enfastiados do eurocentrismo e norteamericanismo das referências artísticas passadas nas academias, galerias, ou para quem tem náuseas só de pensar na grande geléia da arte contemporânea brasileira;

Se faz arte na África, e esta é uma boa página para conhecê-la.

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Tradução intralingual

Traduzir, dentro de ti, o fulgor que me causa teu desenho abdominogenital.

O verbo é omisso, mas nem por isso falta língua neste diálogo sensual.

Verificar, com o olhar, se lhe apraz o movimento bucolabial.

Obter, não sem prazer, a resposta de teu fluido vaginal.

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Dois programas interessantíssimos

Não sou de ficar fazendo propaganda para os outros, apenas passo adiante o que eu acho que realmente vale a pena, e não tem tanta repercussão por aí. Por isso, apresento a vocês (continuo trabalhando com a hipótese de existirem leitores) o seguinte link:

mpesch3.de – Homepage of mp3DirectCut and 1by1 – free mp3 editor+recorder and audio directory player.

Este link levará o internauta a duas belezinhas do mundo MP3. A primeira é o mp3DirectCut, que permite recortar, colar e alterar trechos de arquivos MP3 sem a necessidade de descompressão ou longos processos de recompressão, simples e direto. Para quem quer fazer gracinhas, alterar arquivos, dividir arquivos longos em outros menores, é realmente uma preciosidade.

A segunda belezinha é de maior alcance, já que consiste em um MP3 player chamado 1by1. O segredo está no tamanho ridículo (119kb) e na simplicidade do conceito do programa. Ele é uma espécie de Windows Explorer; não há necessidade de ficar adicionando pastas à playlist ou coisa do tipo. 1by1 permite ao usuário navegar direto nas pastas de música e escutá-las em um clique do mouse. Não exige nada dos computadores, é extremamente versátil e leve. Posto ao lado deste programinha, o Winamp parece um tanto desajeitado e pesado. Realmente vale a pena.

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The Matrix, os quadrinhos

The Matrix: os quadrinhos

Para os interessados (como eu) na lendária trilogia que completa dez anos de idade, no site oficial do What Is the Matrix existe uma página com diversos quadrinhos (em inglês) baseados no funcionamento da Matrix.

É só clicar o link acima; particularmente, recomendo a HQ “Butterfly” de Dave Gibbons (Watchmen), baseada no conto do sonho de Chang Tzu (o homem que sonhou que era uma borboleta…). E também a história “Goliath”, escrita por Neil Gaiman (Sandman), que foi traduzida para o português e consta no livro “Coisas Frágeis”.

Provavelmente, muitos já conheciam este site, porém foi para mim uma descoberta recente. Aproveitem.

(repararam que trabalho com a hipótese de que existem leitores para o que estou escrevendo neste espaço?!)

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