Duas breves notas sobre a impermanência

24 Jul 2012 | publicado por dedos | 1 comentário
  • estou pronto para partir deste mundo, a qualquer momento. a preparação não foi longa, não foi premeditada, não foi sequer realizada. como um choque súbito percebi que estou no mesmo dia do meu nascimento desde sempre e que não há possibilidade de conclusão de nenhuma das minhas arquiteturas mentais, planejamentos e aspirações para o futuro. os produtos de meus atos se encontram no mesmo estado que eu, completos desde o início.
  • da última vez que me despedi de uma pessoa viajante, percebi claramente que não voltaria a vê-la, mesmo que ela retornasse e nos encontrássemos – por não se tratar mais da mesma pessoa. nunca um viajante de fato volta o mesmo.
  • as duas notas acima possuem ligação íntima entre si.

 

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1 Comment

  • Natasha says:

    “Nunca tive tão nitidamente como hoje o sentimento de ser o meu corpo, sem dimensões secretas, de me reduzir aos pensamentos leves que sobem dele como bolhas. Construo as minhas recordações com o meu presente. Sou repelido para o presente, abandonado lá. Tento em vão ir ter com o passado: não posso fugir da minha prisão.”

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