A morte do livro impresso, prólogo

23 Aug 2010 | publicado por dedos | Comente

Uma interface de usuário deve ser tão simples que o leigo, em uma emergência, possa compreendê-la dentro de dez segundos. – Theodor Holm Nelson (Ted Nelson, filósofo-visionário)

Parece que a era dos computadores feitos por quem não gosta de pessoas está começando a dar sinais de fraqueza. Não digo nem que está terminando, mas com certeza este é um duro golpe na antiga caricatura do mundo dos computadores. Esse estranho mundo de máquinas que travam e expelem mensagens bizarras com efeitos sonoros do tipo buzinas e vidros quebrando, metáforas bizarras de escritório como pastas, arquivos, lixeira, desktop etc etc. É claro que isso está um pouco longe de terminar; imagine o dia em que as pastas sumirem, que coisa.

Achei uma coisa que me chamou a atenção na Internet, uma senhora de 100 anos, que não podia mais ler livros por causa de um glaucoma, voltou a ler num iPad da Apple. Devemos ressaltar a visível alegria e o entusiasmo da centenária, que aprendeu rapidamente a usar a interface do iPad, e desde então escreveu dois livros e cinco limeriques. Um golpe duríssimo nos fanáticos que preferem o mundo das linhas de comando e telas pretas com letras verdes (em qualquer fórum nerd existe pelo menos uma centena desses).

Mas isso não é nenhuma novidade para nós e os leitores deste site, não é mesmo? Há tempos publicamos aqui o infame texto O Último Livro Impresso, e eis um claro motivo do porque isso está fadado a acontecer. O mundo eletrônico vai se sobrepor em questão de tempo ao mundo do papel, e o livro vai certamente se tornar algo como o disco de vinil da literatura. Mas as edições impressas vão escassear. Muitas nem vão mais existir. Talvez só golpes certeiros, escritores de best-sellers. E um dia vamos dar risada de tudo isso (sem nem entender direito).

O Steve Jobs não é nenhum visionário, diga-se de passagem. Ele está fazendo apenas o que lhe cumpre no tempo certo, a verdade é que alguma outra pessoa ia ter feito. Einstein reconheceu esse fato, dizendo que a Teoria da Relatividade teria demorado apenas mais 5 minutos para surgir se não fosse ele; estava no ar, era necessário para o momento. Tremenda lição de humildade. Mas a verdade é que o iPad foi o primeiro; em breve serão muitos outros e melhores e ninguém vai querer mais saber qual foi o primeiro. O futuro próximo nunca foi tão interessante (nunca se falou tanto em fim do mundo).

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