Desenhando

12 Apr 2009 | publicado por dedos | Comente

Isso tem muito a ver com outra coisa que escrevi faz pouco tempo [encontrei num caderno meio antigo]. São coisas que escrevi sobre  “desenhar”. Começa aqui:

Em trabalhos mais longos, que requerem mais dedicação, eventualmente surge uma espécie de apego ao que se está fazendo. Coisas como “Esse desenho está ficando tão bom, está sendo ótimo trabalhar nele. De fato, não queria que ele acabasse nunca, para que eu pudesse continuar sempre…”. Você pode, nesse ponto, começar a ter uma imagem muito romântica de si mesmo, “sou mesmo um amante da arte e estou me iluminando através dela” ou coisa do tipo. Abandonar esse tipo de pensamento, ao meu ver, é importantíssimo. Do contrário, corre-se o risco de apegar-se a determinados esquemas ou fórmulas que uma vez deram certo, mas agora não significam mais muita coisa e apenas atrapalham o processo de novas descobertas.

A autocrítica pode ser uma barreira enorme na aprendizagem do desenho. O ser que começa a desenhar não possui prática, confiança, naturalidade para desenhar – isso é um fato. E então, idealiza um desenho, mentaliza uma estrutura e, na hora de desenhar, frustração. Nesse momento, a auto-observação é fundamental. Para que não haja pretensões vãs, nem frustrações, é necessário eliminar a meta final e acompanhar, passo a passo, a própria expressão, o próprio traço, descobrir nele o que há de particular, como ele está evoluindo. Tentar desenhar despretensiosamente, regularmente, sem pressões externas ou comparações com o traço de outra pessoa. A partir disso, a evolução técnica antes almejada é inevitável, e chega com naturalidade, sem que se perceba. Evidentemente, a pressa é antagônica a este processo.

Analisar o que realmente está acontecendo enquanto se desenha é um desafio interessante. Perceber, a cada momento, o que guia esse momento de criação é importante: está se desenhando por desejo, por alguma necessidade de expressão, ou apenas para ganhar aceitação ou admiração dessa ou daquela pessoa ou ambiente? Importantíssimo ser honesto consigo próprio nesse momento. Cair no truque do “eu me conheço, jamais faria isso apenas para impressionar alguém” pode cegar alguém no momento de enxergar que esta ou aquela prática poderia ser abandonada, simplesmente porque é um artifício para ganhar aceitação, que pode sabotar o discernimento de outros possíveis desdobramentos do trabalho.

E termina aqui. Honestamente? Concordo ainda com partes do conteúdo, mas parece uma porra dum texto de auto-ajuda. Que as forças da natureza me impeçam de escrever mais coisas desse jeito. Um desenhito:


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