Quando voltam da praia, cansados para seus lares;
Quando sentem sono cedo, e muita fome ao descer da montanha;
Quando sentem medo ao ver que o Sol se vai e a trilha é longa;
Os seres humanos fazem suas conexões mais óbvias sobre cansaço, sobre espaço, sobre risco…
Mas eu sei o que acontece nestes momentos, e todo encontro com a natureza é um embate, é um confronto e poucos seres humanos encaram este confronto de maneira adequada e se iludem. Pensam que sentem tédio, ou tristeza, ou saudades, canseira ou qualquer tipo de sensação explicável dentro de uma relação simples de causa e efeito.
A natureza quer engolir o homem e quer sua energia de volta. A aversão de muitos à natureza reside neste fato que devasta o ser humano, e também a sensação de alegria ao voltar para casa está relacionada a isso.
O homem diante do mar: este é um confronto dos mais emblemáticos. A beleza da paisagem desloca o homem de sua zona de conforto; o barulho das ondas lentamente drena sua energia pelos ouvidos; a areia retém seus passos e o vento do oceano descama suas células e camadas energéticas. Há de se notar que todo esse processo, por algum motivo, é intensificado por mil na hora do crepúsculo.
Poucos compreendem a tarefa hercúlea que é passar uma tarde sozinho em silêncio diante do mar.
O homem se isola de seus predadores imediatos, porém a natureza pode matá-lo sutilmente pela beleza, pela vastidão e pelo simples fato de querer e poder tomar para si a centelha de energia temporariamente concedida à consciência humana.


